Jeremy abre os olhos lentamente. A luz parecia forte demais, teve que se esforçar para mantê-los abertos. Estava confuso. Não conseguia diferenciar todos os ruídos que ouvia, pareciam muito misturados. Um bipe. Conversações. Outro bipe. Rodas. Outro bipe. Gritos.
Ele respirou fundo enquanto tentava entender o que estava acontecendo e veio a dor em uma de suas costelas. A memória começou a retornar. Hospital. Sem dúvida ele estava em um hospital. Acidente. Ele estava dirigindo e o carro parou, rodou. O caminhão. A explosão. Ainda estava vivo. Elena. Elena estava morta.
Sua visão melhorou aos poucos, e pôde ver melhor o quarto. Era azul claro. Ele estava deitado e ligado muitas máquinas. Havia algo no seu nariz ajudando-o a respirar. Não conseguia se mexer, não conseguia levantar. Era pequeno, só havia ele ali.
A garota. Quem era aquela garota que havia visto? Não se lembrava muito dela. E aquela história? Por que ouviu algo tão estranho. Não pode ter simplesmente imaginado. Parecia tão familiar, como se tivesse ouvido aquilo um milhão de vezes. Estava tão confuso.
Varreu tudo aquilo da cabeça. Não queria pensar em nada. Elena estava morta. Sua irmã. Tudo o que havia lhe restado.
Seus pensamentos são interrompidos quando a porta do quarto abre. Damon?
– A bela adormecida acordou.
– O que... Es...Tá... – sua boca estava muito seca, sua voz diminuía a cada letra.
– Estou cuidado de você. – Jeremy o olhou, intrigado – Tá, eu sei. Não é o que eu costumo fazer. Tô fazendo pela Elena. – O olhar do garoto fez o vampiro perceber que ele ainda não sabia o que havia acontecido – Precisamos conversar.
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A clima em Mystic Falls estava estranho. Fora da previsão. A neblina era tão densa que não era possível ver nada a frente, e era um dia quente. Era Agosto, faltava poucos dias pro início do ano letivo. Todos achavam aquilo muito estranho. Mal sabiam que aquilo era apenas um sinal de algo sobrenatural. De alguém.
Ela usava um traje medieval.

Caminhava com a cabeça erguida. Orgulhosa. Seus olhos quase brancos eram frios sem sentimento. Seu cabelo loiro alvo era tão longo que quase alcançava os pés. Ninguém parecia vê-la.
Onde ela passava o que estava destruído voltava a seu estado original. Flores murchas renasciam, a grama ficava mais verde, o céu mais azul, a neblina mais densa. Seus passos firmes tinham uma direção certa. Uma casa alugada onde Klaus estava escondido.
No instante em que o avistou, seu olhar ficou mais cruel, mais vingativo. Parecia estar concentrando sua raiva. O vampiro que ainda estava no corpo de Tyler caiu no chão, se contorcendo, berrando de dor. Cada vidro da casa se espatifou. Era um bruxa.
– Nic! – Rebecca apareceu, tentando entender o que acontecia. Olhou ao redor, não havia ninguém ali. – Ayka? É você? Por favor, pare. Não mate ele! Eu imploro. Me mate no lugar dele se quiser. Por favor. – ela chorava, estava sofrendo.
– Eu não poderia matá-lo mesmo que quisesse. – disse sabendo que ela não a ouviria.
– Obrigado.
– Não tenho forças suficientes para fazê-lo pagar como merecia. Ainda.
E desapareceu.
Rebecca voltou sua atenção ao irmão.
– Nic! Você está bem?
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A porta da casa Gilbert se abre, Jeremy entra primeiro, apressado.
– Elena! Elena!
A duplicata aparece perto da escada, sozinha. A casa parecia estava vazia. O jovem não pensou duas vezes e abraçou a irmã com força. Precisava sentí-la, sentir que ela ainda estava ali, que ainda estava viva. Abraçou o mais forte que podia.
– Não posso perder você, não suportaria perder mais ninguém, mesmo que isso signifique ter você como vampira, mesmo que seja minha culpa. – disse chorando.
– Não foi sua culpa.
– Eu não devia ter tirado você de casa.
– Não foi sua culpa. – ela separou o abraço para poder olhá-lo nos olhos – não foi sua culpa. Eu to bem. Estou aqui. Eu não vou te abandonar. Nunca. Ouviu? Você é o meu irmão. Eu tenho que cuidar de você porque eu te amo. Não é culpa de ninguém.
Ambos choravam. Não podiam perder um ao outro, era tudo o que eles tinham. A única família um para o outro. Jeremy voltou a abraçá-la. Os olhos de Elena se tornaram vampirescos, ela já era uma vampira. Respirou fundo algumas vezes para se controlar.
O Gilbert abriu os olhos e a imagem da garota que havia visto na estada apareceu. Vestida com um traje medieval.
– Eu sou Ayka. E preciso muito de sua ajuda, Jeremy Gilbert, para terminar o que comecei séculos atrás. Por que? Sim, eu posso ler a sua mente. Sou uma bruxa, uma muito poderosa, embora a morte tenha me enfraquecido quase completamente. Você vai descobrir porque logo. O mais importante é que ninguém pode saber disso. Pode estragar tudo. Se der certo posso salvar todos, inclusive sua irmã. Me encontre amanhã na casa onde as bruxas foram assassinadas. É de seu total interesse.
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